Você sabe o que é um Manauara?

Pois saiba que é assim que se chama quem nasce em Manaus. Desta vez vou falar um pouco da capital do Amazonas, onde fiz um treinamento na semana passada e onde passei a Páscoa. As pessoas tem me perguntado muito sobre quando escrevo. Muito do que vocês lêem é escrito no meu palm, assim sempre escrevo no auge da inspiração e nos lugares mais inusitados como o restaurante, barco, posto de saúde… Manaus, como toda metrópole é um tanto impessoal. Com cerca de 1.800.000 moradores vivendo no coração da floresta, é uma cidade de contrastes, onde a riqueza e a pobreza convivem todo o tempo. Para vocês entenderem conheçam a Rua 10 de julho. Esta rua em pleno centro, passa pela lateral do glorioso Teatro Amazonas e em pouco mais de duas quadras se encontram lado a lado lojas de artesanato chique para turistas endinheirados, uma boate de strip-tease, uma igreja católica muito bonita (São Sebastião), alguns hotéis, cyber-cafes, uma escola de segundo-grau e um cinema pornô. Andando neste trecho tanto vi hordas de turistas como alunos, e ainda fui abordado por uma profissional da noite que anunciava: “taradona, taradona!”. Vou contar um pouco do que vi no pouco tempo que permaneci por lá, poupando vocês dos meus encontros escoteiros e trocas de distintivos. Na falta de mar, o jeito é aproveitar as praias de rio quando eles estão mais baixos. Ponta Negra é a maior praia do Rio Negro, onde há shows e todo tipo de encontros populares, bem como qualquer praia do litoral brasileiro. Na orla os quiosques e o calçadão, onde se passeia com os cachorros ou se faz cooper diante de prédios modernos e caros são similares aos de toda cidade praiana. A água é escura mas não é fria e o banho é convidativo, pois as ondas são pequenas. O interessante é a faixa de areia. No período de seca, a faixa é larga como Ipanema ou Copacabana. Nestes dias, como tem chovido muito, não há areia, a não ser em pequenas áreas isoladas, que ficam com mais gente do que ônibus lotado. O rio inunda tudo, engolindo quase toda areia para, às vezes, somente reaparecer após alguns meses.
No centro histórico há o edifício da alfândega, construído na Europa e refeito aqui após ser remontado pedra por pedra. Era época áurea de Manaus, quando a borracha valia seu peso em ouro, as maiores companhias de ópera vinham se apresentar no Teatro e os ricos, não gostando do efeito das águas locais em suas roupas, mandavam lavá-las na Europa. Um destes milionários, alemão, morava no Palácio Rio Negro e tinha além do porto particular, um terminal de bonde construído especialmente para ele. Circulava tanto dinheiro por lá que a cidade foi a primeira do Brasil a receber rede de energia elétrica. O Teatro Amazonas é deste tempo. Não é a toa que o Guia 4 Rodas o considera uma das poucas atrações 4 Estrelas do Brasil. Ele é realmente impressionante, com um estilo bem clássico, mas com uma cúpula verde-amarela de azulejos que eu juraria ter sido feita durante uma Copa do Mundo. O interior é fascinante, com o que havia e há de mais moderno em termos de acústica e recursos sonoros. Todo construído em madeiras nobres, sua acústica é considerada a quarta melhor do mundo. Eu fui visitar com um grupo de cerca de 40 pessoas, sendo que eu era o ÚNICO que falava português. Japonêses, europeus e americanos eram quem dominava. O grupo vinha de um passeio de cruzeiro, atravessando todo o Amazonas até Iquitos no Peru, pois o rio é totalmente navegável.
Estive na Zona Franca, mas…se sonham com produtos baratos e modernos, desistam. Embora todos os CDs que vocês escutem sejam produzidos por lá e ainda tenhamos entre outras a Panasonic, LG, Nokia, Caloi e Honda, os preços são quase os mesmos do resto do Brasil, e o que impera mesmo são os importados coreanos e chineses.

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