Primeiras impressões indígenas

A convivência com os índios é bem interessante. Eles são muito organizados aqui, uma comunidade bem grande em vários municípios dos 3 países da fronteira. O CGTT (Conselho Geral da Tribo Tikuna) é a primeira ONG totalmente indígena do país, com muitos anos de atuação, ligada a preservação cultural, a saúde e a demarcação das terras. Eles tem 3 vereadores aqui na cidade e são marcantes por todo lado. São um povo que preserva pouco das tradições, sendo algumas das mais interessantes os hábitos culinários, as famílias grandes, as lendas, os rezadores e raizeiros alguns deuses que “convivem” pacificamente com a igreja católica (50% dos Tikunas) e não tão pacificamente com as seitas evangélicas (israelitas, igreja da cruz, assembléias, entre outros – 50% restante deles). Além disso mantém o Ritual da Moça Nova, introdução da jovem adolescente que acabou de menstruar na sociedade. Antigamente a menina tinha todo seu cabelo ARRANCADO literalmente na mão pela sua mãe, tias e avós e não podia dar um choro. Hoje são arrancados alguns fios e o restante cortado com tesoura. Novos tempos…
O interessante é que enquanto os Tikunas são assim organizados, há também os Cocamas, tribo que praticamente se extinguiu e que era secundária aos Tikunas. Este era um povo que não assumia suas raízes e praticamente foi assimilado pelos não indígenas, aqui chamados de “civilizados”. Bem, a partir do momento que os Tikunas começaram a ganhar espaço, regularizar terras, ganhar dinheiro, começaram a ressurgir Cocamas. Há cocamas imigrantes de nordestinos, cocamas de cabelo claro… Até eu já estou pensando em me “indianizar” e virar Cocama. Posso dizer que sou neto de espanhol… Marco Cama. Quem sabe não me aceitam?
Ao mesmo tempo que muita gente quer virar índio, na cidade tem gente com cabelo de índio, olho de índio, pele de índio, cara de índio, sobrenome de índio e quando a gente pergunta. “Mas de que tribo sua família era?” responde na mesma hora que nem tem índio na família… Deve ser tudo alemão…
Bem, por hoje é isso.Se alguém não quiser que eu mande mais, dê um toque que paro de enviar e não fico chateado. Sei que às vezes não dá paciência para ler todo este monte de coisas que eu escrevo. Por outro lado, se alguém quiser que envie para algum conhecido, é só me enviar o e-mail. Eu já estou enviando para várias pessoas que não conheço… Tô me sentindo até o Paulo Coelho… E ainda nem comecei a contar minhas experiências místicas com a chuchuacha!!! há! há! há!

1 comentário Adicione o seu

  1. Taíze Silva disse:

    Oi gostaria de saber como faz pra aprender o idioma ticuna? Tem algm curso gratuito ou online compra algum livro?

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