Histórias de gente e de barcos

Bem, mas o povo aqui é dos barcos, e então vou contar algumas aventuras de barcos e balsas da região, que escrevi algum tempo atrás e ainda não havia enviado.
O ritmo daqui continua me impressionando. Se você tem algum tipo de obsessão por relógios ou horários, decididamente a amazônia não é o seu lugar. Pense na Bahia onde as coisas são mais rápidas. Não acredita? Vejam só: a Flávia e o Joseney compraram um Niva em Tabatinga. O carro ficou na casa de um amigo, até o dia do embarque na balsa de transporte de carga entre as duas cidades. Neste dia, já que a balsa sairia às 8h, eles acordaram de madrugada e pegaram a lancha às 6h para Tabatinga, para fazer o embarque. Em Tabatinga pegaram o carro e o embarcaram sem problemas, embora tenham sido informados que, como chegaria mais carga a tarde, a balsa só sairia à noite. Acordaram cedo em vão. A noite os acompanhei ao porto e…nada da balsa. E ninguém sabia informar nada por lá. No dia seguinte pela manhã, de volta ao porto, informaram que o problema era que estavam carregando a balsa de bujões de gás. Mais um dia e …nada. Por sorte ela encontrou o dono da balsa que informou que faltava uma peça do motor que estava quebrada, vindo de Manaus… Assim somente mais 3 dias depois chegou o jipe. Haja paciência!
outra… Novamente no barquinho rumo a Tabatinga. Como está entrando uma frente fria, além da manhã cinza, temos ondas e o barquinho sacoleja bem, indo lentamente. É a primeira vez que vejo todos da catraia usando salva-vidas… Tem gente realmente preocupada. Bem, vamos ver então se pela primeira vez vou conseguir ver algum dos botos, seja o pequeno e cinzento tucuxi, seja o famoso boto cor-de-rosa, o famoso Don Juan dos rios que à noite sai a andar nas margens do rio seduzindo as mulheres. Não pensem que com a civilização o medo do escuro ou da noite acabou. Ainda marcado pelo inconsciente coletivo regional, mesmo na cidade é difícil ver alguém mais tarde nas ruas. Conversando com pacientes sei que após escurecer só se faz duas coisas: jantar e dormir. Este relato havia sido interrompido porque com o aumento da chuva tive que me encolher no chão do barco, que balançava bem. Até o piloto estava preocupado e para minha tranqüilidade ouvi a seguinte frase enquanto o barco atravessava o rio.”Vou por aqui que é menos raso” e “nessa praia eu nunca bati. No lado de lá eu bati duas vezes porque ela vivia mudando de lugar”.
Mas o rio que virou minha estrada me trouxe um momento imensamente simples e feliz. No domingo estava no porto fotografando o pôr-do-sol, quando passou uma canoa com cerca de vinte rapazes. Eles vinham na maior algazarra e quando um me viu de pé, no alto de um barco ancorado gritou me acenando. Sem pretensões e com um pouco de timidez, virei a câmara na direção deles e o resultado foi como uma ola digna de estádios. Todos gritaram e davam tchau, e embora já estivessem felizes, se tornaram ainda mais alegres pela possibilidade de “festar” um pouco mais.

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