Políticos Indígenas

Esta foi a semana em que tive a maior imersão na culura Ticuna, desde que vim para o Amazonas. Foi interessante, pois não foi algo como o que vivi em Iquitos, onde tudo era “pra turista ver”, e sim o contato direto com um povo que se orgulha de ser a maior nação indígena do Brasil.
Para terem uma idéia de como os Ticuna são representativos no município, na quinta-feira aconteceu a primeira sessão itinerante da Câmara dos Vereadores, em Filadélfia, a aldeia de onde enviei algumas fotos um tempo atrás. Dos nove representantes municipais, três são indígenas, originários de diferentes comunidades. Além dos vereadores, o prefeito estava lá para a sessão, que ocorreu no centro de reuniões que estava lotado. Tinha gente saindo pelas portas e janelas, pois este foi o maior acontecimento do ano depois da visita do Ministro Ciro Gomes e de sua esposa Patricia Pilar. A sessão, entre outras coisas, prestou homenagens à indígenas de expressão municipal, como Seu Bastos, o fundador da comunidade; o pastor da Igreja Ebenezer, que deu origem a Escola Ebenezer, modelo de educação indígena para todo o Brasil; o Cacique Hamilton e o chefe do Conselho Geral da Tribo Ticuna, Nino Fernandes, que em novembro estará em Brasília, sendo homenageado em um festival cultural pelo Ministro Gil. Gente importante este pessoal…
ia17_vereadortic Vereador Tikuna discursando. Notem o broche com o Brasão da República, a gravata e o cordão indígena.
Através dos discursos de todos se pôde ter uma idéia do Brasil. O português era roto, difícil de ser entendido, misturado com palavras Ticuna e com discursos inteiros nesta língua que para mim tem a sonoridade próxima ao japonês, mas que foneticamente com certeza é bem diferente. Mesmo a Diretora da escola tem um português difícil de ser compreendido. O hábito mais comum é o uso de substantivos no plural, com um som meio de “z”, como na frase ouvida várias vezes: “É um prazer ter nosso prefeitoz aqui conosco, o presidentez da câmaraz e todoz nossoz irmãoz ticuna”. A sessão entrou noite adentro, e como saco vazio não para de pé… “panis et circens”… lá se foi pão para o pessoal. Pão com “êpa” só para dar o gostinho de mastigar algo, e para satisfazer a barriga, regada a água e refrigerante para “encher” bem.
ia17_caciquediscursando Cacique dicursando. É assim que vocês imaginavam um cacique?
Além das homenagens, eles mostraram que não querem só apito, e tome cobrança: saneamento, saúde, contratação de profissionais Ticuna, asfalto, feira coberta, reforma no porto. Para terminar muito forró e calipso enquanto esperávamos para que o centro fosse arrumado e a “Câmara Itinerante” fosse desmontada.

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