Rio Javari acima, rumo a Atalaia

atnorte0170 A viagem começa e logo compreendo porque estes barcos são conhecidos como “pec-pecs”. O ruído é incessante e prejudica toda conversação. Logo alcançamos Islândia, território peruano que já foi palco de outras Impressões. Hoje, devido a chuva está com água quase na altura das palafitas e a ver postes dentro da água é, no mínimo, bizarra. O caminho é bonito, e passamos por touceiras de camu-camu, fruta rica em vitamina C. A fauna, fora um boto ocasional, não dá as caras. A Amazônia é assim: a fauna está lá, mas escondida, e não há como ver os animais camuflados entre a vegetação cerrada.
Passamos por outros barcos de pescadores, ribeirinhos de mudança e até por uma balsa de madeira. Não sei se posso chamar de balsa, pois na verdade são inúmeros troncos de árvore amarrados que vem boiando. Sobre os troncos algumas barracas de lona plástica e alguns homens. É madeira tirada de rio acima que, independente do lado de onde saiu se torna “peruana”. Seu Getúlio, ele mesmo antigo madeireiro explica: “Uma margem do rio é brasileira, outra peruana. No Brasil não pode derrubar nada, no Peru pode, então, como não tem fiscalização, tudo que é derrubado no Brasil logo atravessa de lado para virar peruano”. Os homens vivem nesta espécie de balsa por mais de dez dias, dormindo e morando literalmente sobre troncos.

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