Histórias de pajés

Conversei também com um dos pajés, muito simpático. Ele havia acabado de realizar uma prática que ainda não tinha assistido. Ele esfrega dentes de traíra nos braços de meninos pré-adolescentes, formando riscos longitudinais. Estes riscos cicatrizam e formam traços nos braços, como tatuagens em relevo. Enquanto não cicatrizam, as feridas ficam sangrando. Aliás, eu vi várias crianças com tatuagens caseiras, daquelas feitas com caju ou caneta, mas que ficam definitivas. Estrelas, corações, pontos na testa, letras, nomes, mas tudo bem feio e, infelizmente, de forma definitiva. Lá eu pude apreciar a coragem de um auxiliar de enfermagem. Totalmente “em casa”, o Acles chegou a fazer, literalmente, sua “tribal”… uma tatuagem feita por um indígena com uma máquina que não sei de onde eles fizeram surgir.

Embora eu tenha visto estas tatuagens, acho que foi a aldeia onde as crianças estão menos pintada de todas que já estive, e as pinturas são menos elaboradas. Em compensação são as mais enfeitadas, com aquelas pulseiras, colares, brincos e enfeites diferentes e multicolores. Realmente me fez recordar que desde que cheguei aqui chamava os kaiapó de índios fashion. Aqui também é a primeira aldeia onde encontrei mulheres sem os vestidos tradicionais de nira. Não todas, mas pelo menos umas cinco, o que é muito, considerando que eu nunca tinha visto nenhuma assim fora da cidade. Aliás, as meninas aqui também andam mais sem roupa do que em outras aldeias, e vi várias adolescentes já com seios bem crescidos e brincando correndo somente de calcinha.
IA 34 (5)

1 comentário Adicione o seu

  1. aninha disse:

    o dele é pequenooooooo

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