Cantoria das Mulheres Kaiapó

Abr 2007
Continuo indo para as aldeias sem ter oportunidade de ver as famosas festas kaiapó. Como da última vez que estive em Gorotire, ouvi a enfermeira me dizer… “E semana passada aconteceram 3 dias de festa aqui!”. Apesar disso, estou chegando perto, e presenciei dois fatos muito legais. Um foi o que chamo de “mulheres cantoras”. Elas andam em duplas ou trios, cantando e fazendo um gesto como se fosse de levantar um bebê nos braços, ou levantar um feixe de lenha, algo assim.
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O mais interessante é que ela formam uma fila no final da “avenida” principal da aldeia (onde acontecem as festas) e vão saindo com intervalo de cerca de 30 segundos, percorrem toda esta avenida e se espalham, seguindo cantando com sua voz aguda. Muito legal, parece saída de corrida de regularidade.
Assisti também a preparação de uma festa de máscaras genericamente chamadas de Kôkô. Vários jovens usavam roupas de palha que cobrem o corpo todo e máscaras também de palha, sendo impossível identificar quem está debaixo da fantasia. Não sei o que falam, mas deve ser besteira das boas, porque o pessoal, especialmente as mulheres, ficam dando risadas. As crianças fogem morrendo de medo e me lembram um pouco os “Clóvis” do carnaval carioca.
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Uma antiga missionária, que viajou conosco para Gorotire, foi levando seu bebê de quatro meses, que ia pela primeira vez para a aldeia. Chegando lá foi uma festa porque os Kaiapós adoram crianças. Acontece que uma das índias mais velhas chegou chorando e foi logo dizendo que tinha ficado muito feliz quando soube que a bebê dela tinha nascido e se pintou toda só por causa dela em comemoração e então queria receber presente por isso. É mole? Pedia isqueiros!! Ao menos o presente era barato.

1 comentário Adicione o seu

  1. Regina Cestari disse:

    Oi Altamiro, que legal que vc voltou a escrever, estava sentindo falta.
    A gente que vive aqui na “cidade grande” desconhece os muitos `Brasiis´ que existem no nosso Brasil, e, através de suas experiências e impressões ficamos sabendo de como são as coisas nesse canto de chão quase surreal prá nós “cara-pálidas” (ainda mais pálidas, sendo paulistas e recém saindo do inverno…rs…)
    Uma hora que vc puder, me conta como foi parar aí…
    Beijos e Obrigada
    Regina

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