Comunicação nas aldeias

Uma das grandes paixões dos índios são os rádios. Dá para entender, afinal, se não existe telefone (só duas aldeias tem) o maior meio de comunicação são as ondas do rádio. Nada daquela burocracia para usar o microfone que vemos com a maioria dos radioamadores (os escoteiros que participam do JOTA sabem bem do que estou falando), mas um entra e sai de gente para falar que às vezes não para nunca. As índias gostam de falar para contar das doenças. Dentro das crenças dos Kaiapó, se alguém fica seriamente doente só melhora se ninguém da família comer carne de caça. Ninguém mesmo, e isso se estende a todos irmãos, avós, tios e parentes próximos de todas as aldeias. Então tome rádio para avisar todo mundo. Como alguns índios não entendem muito de freqüência e gostam de mexer em tudo, outro dia um foi parar em uma freqüência nova e se escutou o seguinte diálogo:
– Quem fala? Quem fala? Aqui Aldeia Gorotire!
– Aldeia? Quem fala aí é índio?
– É índio sim. Quem fala?
– Índio, aqui é da Polícia Federal! Desliga isso!
– Poliça? Tô fora! Tô fora!

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