Preparativos para Festa em Kriny

Kriny – Abril
08 S 07º 24’ 94,0’’
W 50º 55’ 19,0’’

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Cheguei na aldeia e logo percebi algo diferente. Não haviam homens – cacique, pajé, agentes de saúde, lideranças. Todos, com exceção de uns 3 ou 4, estavam na cidade, pegando palha de buriti. Para cobrir as casas? Não, para a confecção de máscaras Kôkô (assim mesmo, com dois acentos). Elas, como todo objeto de palha trançada (cestos, tipóias de carregar bebês – aim, adornos, etc.) são elaboradas pelos homens. Im dos indígenas me levou para ver as máscaras Pàte, um dos tipos de máscara (Pàte é o tamanduá, as outras são Kukwoi – macaco prego e Kybut – guariba). Estas máscaras são especiais, sempre em número inferior as demais e elaboradas na mata por guerreiros que passam dias preparando-as.

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Até o dia da festa são guardadas, e para não estragarem pela umidade ou mofo são regularmente retiradas para o sol para secaram.

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O responsável por todos preparativos, que convoca os outros homens para o trabalho, se responsabiliza pela comida. Este é o anfitrião, conhecido por “dono da festa”. Desta vez são três, e suas famílias já reúnem a frente de suas casas pilhas de madeira e montes de pedras que são usadas para assar os alimentos. Mandioca, batatas e batatas-doce são armazenadas. Ao regressarem, após as máscaras ficarem prontas, os homens sairão para caçar e pescar. Enquanto isso as mulheres vão preparar os últimos adornos de miçanga e por fim, finalmente a festa, momento grandioso que pode durar dias ou semanas, de acordo com os preparativos e posses do “dono da festa”.

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Esta vai ser uma festa grande, e já chegaram convidados de três outras aldeias: Kranh-Apari, Aukre e Gorotire. Todos se envolvem, não havendo privilégios ou regalias por serem “de fora”, afinal, são todos parentes. Assim os homens estão “na palha” e as mulheres na roça. A roça produz bem em Kriny. Por todo lado vemos ramas de abóbora e yàt, a batata doce. São vários tipos de tubérculos que eles plantam, além da mandioca, inhame, cará e batata. Ao contrário do que se pensa, a mandioca não era o alimento indígena universal. Para os Kayapó ela foi uma novidade surgida com os brancos. O alimento central de sua cultura era a batata doce. Hoje, em compensação, o seu prato tradicional é o berarubu, feito de mandioca ou milho ou banana verde. É feito de massa de mandioca assada na brasa e na pedra, podendo ser recheado de peixe ou carne. Ao nosso paladar é diferente, pois falta tempero, não levando nem mesmo sal.

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