Impressões do que eu li… livros sobre os Yanomami

Os Yanomami são um povo fascinante. Primitivos para alguns, na verdade são altamente adaptados ao seu meio, enquanto nós é que somos os atrasados quando se trata do conhecimento necessário para viver e até mesmo sobreviver na floresta.

Alimentação, utensílios, danças e modo de falar – tudo é diferente. Tudo em nós é diferente quando eles nos veem pela primeira vez. Perdidos em meio a floresta onde eles são os seres humanos – tradução literal da palavra “yanomami” – nós não passamos de napëpë (inimigo, estrangeiro, “branco”).

Como são gente igual a gente mas um pouco diferente eles chamam nossa atenção como nós chamamos a deles. E eles nos encantam. Como sua terra encantou muita gente que mergulhou na floresta e se perdeu no labirinto verde, com gosto de morte e de ouro.

E nós, primitivos, entramos na floresta, sofremos e matamos. Primitivo, o Homo sapiens garimpensis´, ser caçador-coletor só fez destruir quem lhe acolheu e lhe deu tudo o que tinha, até sua saúde e dignidade.

Se você gosta de (boas) fotografias, comece a imersão com:

Faces da Floresta – Os Yanomami, de Valdir Cruz – Ed. Cosac & Naify, 2004
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Seu deslumbre vai além das fotos, pois cada uma conta uma história. Histórias alegres e histórias triste. Histórias que te deixarão em dúvida. É o homem… sapiens?

Sua dúvida se torna certeza ao ler:

Haximu – O Massacre dos Yanomami e as suas consequências, de Jan Rocha – Ed. Casa Amarela, 2007

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Não é grande. A leitura flui. As imagens que você vai sentir falta já leu no livro de Valdir Rocha. Agora suas dúvidas se disipam como a floresta se dissipa: de forma abrupta. O Homo sapiens é ignorante. Inguinorante talvez, primitivo, agressivo, burro… digno de receber todos os elogios imputados aos moradores tradicionais da Urihi, a terra-floresta, local físico e cosmológico… que tão sábios mostraram ser de fato os seres humanos.

Agora preparado é hora de mergulhar de vez no universo Yanomami. Hora de coçar o pensamento com o texto enxuto e primoroso de Marcos Pellegrini:

Wadubari, de Marcos A. Pellegrini – Ed. Marco Zero, 1993

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Outra cadência, ritmo já esquecido de um mundo desglobalizado. Aos poucos a acertamos o ritmo da leitura descompassada e cadenciamos o passo aos rios, as matas, a Urihi e aos Yanomami. É neste passo que aprendemos que por vezes “a paz pode ser mais mortal do que a guerra”. E nos entregamos nos perdendo neste mundo paralelo em que vivem os “seres humanos”. E quando nos (re)encontramos nos (re)descobrimos com outro olhar. O olhar da diferença que nos faz semelhantes.

Vida longa aos Yanomami.
Boa leitura!

1 comentário Adicione o seu

  1. Gláucia disse:

    Estou interessada no livro Wadubari, mas não consegui chegar próx de sua compra clicando na imagem, pode me ajudar? Abraço. Gláucia.

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