Uma tarde caçando Pokémons

O Campo de São Bento é a principal área verde de Icaraí, bairro tradicional de Niterói. Lá, sob a sombra de suas árvores, crianças correm, jovens namoram, adultos se exercitam e todos podem desfrutar de momentos de relaxamento em meio a natureza. Nos finais de semana uma feira de artesanato e de bike foods lota o parque que se torna um divertido formigueiro humano.

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Recentemente um estranho fenômeno começou a acontecer. No meio da semana, em horários geralmente vazios, o Campo de São Bento está ficando lotado. Mais estranhamente ainda o público é formado prioritariamente por jovens, a maioria acima dos 15 anos. Eles se espalham pelo coreto, pelos bancos, pela área dos vovôs, estão por todos os lados. O ponto em comum? Todos tem olhar atento em seus celulares, em busca de oportunidades de caça. São caçadores de Pokémons.

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A estratégia da fabricante do game é boa. Talvez seja a primeira vez em muito tempo que estes jovens – dentre eles o meu filho Kim, de 12 anos – pedem voluntariamente para caminhar na praça e circular, pois além de caçar Pokémons, precisam “chocar os ovos”, que, espertamente, só podem ser chocados com o caminhar do proprietário do celular… ou seja, um convite para o movimento.

E subitamente a turba parece ter sido tocada por algum cowboy misterioso, pois todos se levantam e começam a caminhar. O que procuram? Pergunto ao meu filho que partilha do mesmo frenesi.
– Apareceu um Dragonair! Apareceu um Dragonair! Vamos lá!
E desaparece no meio da turba em busca do Dragonair, que eu nem mesmo sei o que é. O jogo estimula a andar, correr e até mesmo interagir, pois todos que estavam ali tinham a mesma chance de pegar o Dragonair com suas pokebolas virtuais.
Mantenho meu passo, mas meu filho logo retorna – novamente junto com a multidão.
– Não é para lá! Alarme falso, é para o outro lado!
Rapazes e moças, meninos e meninas, gente da minha idade, mãe com filhos, todos fazem parte da busca louca. Até que de repente ouvimos um grito:
– Uhuuu! Peguei!
A massa se desloca então com velocidade dobrada, tentando aproximar-se do feliz novo proprietário de um raro Dragonair. Todos teclam alucinadamente em seus celulares, tentando capturar o dragão.

“Calma, dá para todos”, parece dizer o jogo. Realmente é assim, mas nem todos tem a habilidade para capturar o monstro de bolso, o que faz com que rostos alegres se alternem com olhares desiludidos.

IMG_20160805_173546840Caçador em ação.

Pouco a pouco todos esgotam suas tentativas e retornam ao ponto de partida, aguardando o surgimento de um novo Pokémon raro, que mereça a caminhada frenética. E lá vou eu junto!

2 comentários Adicione o seu

  1. Adorei, é assim mesmo e eu tenho vários pokemons alta. Bjs. Hj foi o lançamento do 5 livro da minha mae

  2. Hilton Monteiro Cristovão disse:

    Gostei da opinião, afinal não deixa de ser um motivo para a turma levantar da cadeira. A foto de capa mostrando uma anta (Tapirus terrestris) ficou sensacional, parabéns!

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