Memórias de um Museu que já não há mais…

Sempre gostei de fotografar. Algumas de minhas lembranças mais antigas são com menos de dez anos de idade, quando usava uma pequena Kodak Instamatic 54X, que hoje além de despertar minha memória afetiva, só teria oportunidades em um museu, com seu velho filme encartuchado. Ainda tenho hoje algumas fotos desta época, já desbotadas pelo tempo e que, se não se perderam na casa da minha mãe, eu deveria resgatar e digitalizar.

Das mais antigas que tenho, metade é de Nova Friburgo, cidade onde passávamos o Natal, fugindo do calor e onde eu me sentia mais perto de Papai Noel e do Pólo Norte. A outra metade é do Museu Nacional, onde fotografei animais empalhados, enormes esqueletos de dinossauros e raras múmias egípcias. Animais exóticos, dinossauros, múmias… o que mais uma criança pode querer? Artefatos indígenas, meteoros, roupas de esquimós, até uma cabeça encolhida por índios equatorianos… os terríveis jivagos, encolhedores de cabeça… Tudo que alimentava minha imaginação era transformado em realidade no museu.

Toda família do Rio de vez em quando aparecia por lá. Era programa para domingão: zoológico, piquenique e museu. O enorme museu já impressionava por ter sido “a casa do rei”. Assim aprendíamos história, nos encantávamos com a natureza e tínhamos a curiosidade despertada por muitos saberes.

Era assim…

Hoje… esses muitos saberes foram queimados. A múmia virou pó, os dinossauros preservados por milênios pouco mais são do que cinza… Fotografias, gravações, pesquisas, coleções de insetos, trajes indígenas, objetos andinos, egípcios… todos queimados.

Queimados pelo fogo e pela ignorância dos nossos governantes…. mas não quero falar nisso ou transformar minha saudade em um discurso político.

O incêndio do museu se espalhou por todo Rio de Janeiro e algumas labaredas se espalharam para todo país e além. Cada um de nós teve lembranças e memórias queimadas. Resta saber se alguma fênix irá renascer destas cinzas. Se teremos a resistência do meteoro bendegó, que suportou o calor da entrada da atmosfera e há 130 anos encantava cada visitante que, mais ou menos discretamente, passava a mão no único extra-terrestre que podemos conhecer.

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Os dinossauros davam as boas vindas.

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Cabeça encolhida dos Jivago (Equador) e roupa de festa dos Tikuna (Amazonas)

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Verso do sarcófago.

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Teto do palácio. Só a arquitetura já valia a visita.

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Marcos (acima) e Kim (abaixo) curtindo dinos e fósseis, aprendendo com os museus.

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