Lua de Primavera

Adoro conhecer sobre diferentes culturas. É fascinante perceber como nós evoluímos de formas tão diferentes em cada lugar.
Você passaria debaixo de roupa recém-lavada? Acho que nem ligaria para isso, mas um chinês morreria de medo, enquanto ignoraria os problemas ocidentais de passar por baixo da escada.
E no Ano Novo? Saltar sete ondinhas, comer romã… mas na China do século passado, as tradições eram outras. Leiam só:

“ Na cozinha a Matriarca adoçou os lábios da imagem do deus da cozinha, com mel e o mandou para o céu em chamas, para garantir um relatório de fim de ano favorável. Quando o velho deus sumiu, ela pendurou em seu lugar a nova imagem, e as mulheres, uma a uma, acenderam o incenso num tripé de bronze, fazendo oferendas de bolinhos, doces e arroz”.

“ Em cada tigela, restavam ainda alguns grãos de arroz, símbolo da esperança de que o clã tivesse sobras no ano que começava.”

Diferente, não? Nesta época os pés das mulheres ainda eram enfaixados, o que levava a deformidades e impedia seu crescimento. Seu andar, gracioso era característico das mulheres, delicadas como flores, como lírios. Por isso os pés eram então chamados “lírios dourados”. Poesia pura.

Nem tudo era poesia. Os chineses eram, também, um povo prático e pouco chegados aos desperdícios. Faziam oferendas aos antepassados, junto aos seus túmulos, mas não deixavam a comida ficar para os animais.

“… limpou os túmulos, colocou as oferendas e prostrou-se diante dos antepassados da Casa de Wu como se tivesse nascido para isso. De acordo com a tradição, ele e Lua de Primavera fizeram depois um piquenique entre os mortos, para que os antepassados se associassem também aos bons tempos e as oferendas não fossem desperdiçadas”.

Assim, presente e passado, vida e morte, descendentes e antepassados se entrelaçavam o tempo todo, como testemunha o livro escrito pela chinesa Bette Bao Lord. A história acompanha uma mulher, “Lua de Primavera”, que dá nome ao livro e vive a época das transformações, quando a China deixa de ser feudal e pouco a pouco ingressa no comunismo, passando por lutas fratricidas e mudanças radicais. Boa história e cultura fundidos em um único livro.

Lua de Primavera
Bette Bao Lord – Ed. Record – sem ano

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