…dos Amigos: Mind Austrália 2

Em Sydney as ruas principais seguem do interior para o mar. O desenho
da cidade desenvolveu-se aproveitando ao máximo as possibilidades de
seu crescimento. Embora a cidade tenha nascido no contexto da
conquista do território aborígene, cada porção de terra incorporada à
cidade parece ser produto de reflexão demorada. Não houve pressa
porque não houve confrontos, a dominação se deu sem lutas. A cidade
cresceu amadurecendo cada etapa do seu desenvolvimento. A planta
xadrez, largamente usada na colonização americana, principalmente na
América do Sul pelo espanhóis, não se impõe, adequa-se as condições
vigentes para integrar novas áreas. Escapa-se da regularidade
(monótona) tão perseguida pelos espanhóis e cria-se soluções espaciais
surpreendentes, com praças, largos (fotos 089.jpg e 330.jpg) e becos
(fotos 319.jpg). A topografia é pouco contrariada, acordos são
estabelecidos: em alguns momentos o desenho se impõe ao território e
outros a natureza prevalece. A cidade ganha em espontaneidade, beleza
e movimento. Diante dos olhos perspectivas interessantes
descortinam-se, convidando para a caminhada confortável sob árvores
frondosas (foto 035.jpg). Bicicletas, pedestres e veículos convivem
harmoniosamente.
Ao urbanismo negociado, soma-se um mobiliário urbano simples, mas
eficiente. Surpreende, em meio ao logradouro público, a existência de
bebedouros antigos (foto080.jpg) funcionando adequadamente e de outros
modernos de interessantes (foto 258.jpg) formatos com alternativas
surpreendentes para soluções consagradas.
Nada é descuidado ou recebeu um tratamento superficial. Não há nada
depredado ou quebrado. Não há construções provisórias ou improvisadas,
nem “puxadinhos”ou invasões. O quadro se completa com o cuidado
dispensados às edificações, todas receberam tratamento arquitetônico.
Os prédios mais antigos são resultado dos estilos de cada época, mas
não houve uma variedade muito grande de estilos, predominam os
exemplares do período vitoriano preservados e sendo usados,
(lembrei-me com tristeza do Campo de Santana, no Rio). Outros são
produtos da arquitetura popular, a “sabida” -como definiu Mário de
Andrade – (foto 321.jpg) são casas e pequenos edifícios, mais antigos,
na periferia, formam pequenos conjuntos, geminados, as vezes com cores
fortes que lembram as vilas operárias do inicio do sec.XX. São
exemplos completos, fiéis as intenções de seus construtores. Os novos
prédios, são exemplos da arquitetura moderna, a “erudita” (Mário de
Andadre, de novo): coloridos
(foto 2308.jpg), ousados, bons e ruins, mas todos desenhados sob
intenção deliberada de fazer arquitetura, em qualquer uma das suas
inúmeras definições.
Mas a cidade não é perfeita. A direção das ruas voltadas para o mar
cria verdadeiros canais de vento, que sopram forte para o continente.
Um vento frio que incomoda mesmo no mais intenso dia de calor. Em
alguns lugares, principalmente na periferia o lixo acumula-se (fotos
1270.jpg), e o uso excessivo de carpete permitem odores nem sempre
agradáveis. Sydney cheira.

Abraços from Austrália

Cícero

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s