Impressões Amazônicas 42 – from Guyana

Este mês não falo dos índios, e sim da visita a Guyana, aqui perto de
Boa Vista e do Maltín. Agradeço aos amigos que já visitaram o Blog
https://impressoesamazonicas.wordpress.com 5468 vezes em pouco menos de
dois meses! Divulguem para os amigos!
—xx—xx—xx—xx—xx—xx
Impressões do que Provei… Maltín – Bebida de Malte não alcoólica.
Se você achava que a única coisa que se fazia com malte era uísque e
cerveja, você se engana. O malte está na base da farinha Láctea, no
Ovomaltine e… no Maltín. O produto, desconhecido no Brasil sem
álcool, é uma espécie de refrigerante de ovomaltine, espumante como
cerveja preta e com um gosto indefinido entre uma cerveja muito doce e
um refrigerante meio amargo. Como é isso? Tem que provar para saber.
Eu comprei logo uma caixa, para poder provar bem e poder descrever
para vocês. Esperem um pouco… hum… a primeira sensação que vem a
boca é o doce do ovomaltine, mas… deixando-se na boca até a espuma
se dissolver você sente um sabor levemente amargo. Está servido? É
gostoso e diferente.
—xx—xx—xx—xx—xx—xx
Estou na fila para a Guyana, aguardando a balsa para atravessar o rio
Itacutu, que separa nosso país da antiga colônia inglesa. Após rodar
126km desde Boa Vista em uma estrada ótima tenho a minha frente uma
fila de carros e lama, muita lama. A minha direita, elevada, nova,
imponente e já concluída uma ponte construída pelo Batalhão de
Engenharia do Exército. Enbora pronta há alguns meses, por aquelas
ironias políticas, a previsão de inauguração ainda é de outubro.
Após mais de uma hora de espera, inicio a travessia na mais improvável
das balsas, onde dez carros se apertam e onde alguns carros nem mesmo
podem abrir as portas para os passageiros saírem (imaginem a desgraça
em caso de naufrágio…). A balsa é conduzida por um sistema de quatro
lanchas com motor 15, uma em cada ponta da embarcação. O conjunto
delas e a alternância da que está com o motor ligado é que faz com que
ela consiga manobrar, girar e finalmente ganhar velocidade e
ultrapassar a correnteza do rio que já se tornou Takutu, nome
guyanense. Como meu carro não estava tão preso, consigo sair para
fotografar, mas ganho outra preocupação. O carro na minha frente não
tem freio, e tem que ficar com o motor ligado toda travessia, além de
ser escorado por madeiras para não balançar muito. Sua carga? Água
e… bujões de gás. Tem gente que realmente não teme o perigo.
Desembarco e logo já tenho que falar inglês com cidadãos que parecem
ter desembarcado da África hoje, de tão escura é a sua pele.
Regularizo o carro e sigo, já dirigindo em mão inglesa. Consegui
escapar do mico de dirigir a direita, como fazemos no Brasil, mas foi
impossível reprimir um susto e esconder meu espanto ao ver um carro
“sem motorista”. Até habituar, tudo isso é muito diferente.
A maioria dos brasileiros atravessa a fronteira apenas para comprar.
Lethem é uma cidade que nem parece cidade, embora seja uma das maiores
deste pequeno país. Não há um centro ou uma praça central, algo que
imaginamos como distintivo de uma cidade. Há construções antigas,
nitidamente coloniais, com amplas varandas, se alternando com muitas
áreas vazias e algumas casas modernas, mansões pintadas em cores
vibrantes. Assim, embora tudo seja na verdade  perto, é relativamente,
longe. E longe são as lojas umas das outras (não há um centro
comercial, um “saara” como temos no Rio, ou uma “Rua do Bate-Palma”
como temos em Manaus. Assim, para rodar por lá… só de carro. Você já
deve estar se perguntando o que as lojas vendem: produtos brasileiros
(que ninguém vem comprar),
camisas Lacoste e tênis Nike. Hoje em dia começam a chegar outros
produtos com preços interessantes, como panelas, bicicletas, perfumes
e whiskys. As lojas na maior parte são o fundo de casas, embora
existam “mega-stores”, mas todas vendendo basicamente os mesmos
produtos. Se já quer saber da qualidade, há desde as legitimas (ou bem
semelhantes) até as legitimamente falsificadas, imitações baratas e
obvias. Vale a visita, pois por 12,00 compra-se uma boa pólo com
jacarezinho lacoste. Como eu já não tinha mais roupa branca após dois
anos em aldeia, foi bom para voltar a poder parecer médico novamente.
Lethem é apenas isso para a maior parte dos brasileiros. Compram, não
olham nada, não conversam e vão embora correndo, como se estivessem no
fim do mundo. Gente, tudo bem que é quase no fim, mas tem muita coisa
interessante por lá, como a arquitetura das antigas construções
coloniais e a oportunidade de praticar o inglês com um povo com forte
sotaque caribenho. Fui em busca de um restaurante típico de comida
creole, com alimentos principalmente a base de peixe, mas o único
estava fechado na hora do almoço… Me ofereceram um com comida
brasileira, mas me recusei, até conseguir achar um que servia Frango
ao Curí. Curí? Pois é… se fala assim mesmo por aqui o tradicional e
indianíssimo Curry. É que tem muito indiano na Guyana (há um grande
contingente de hinduístas por aqui) e portanto se come comida indiana,
já devidamente adaptada ao gosto dos trópicos americanos. Para
acompanhar refrigerante guyanense: I-Cee, que você pode escolher nos
sabores Tangerina, Pêra, Maçã, Banana (sim, refrigerante de banana!!!)
e… Big Red (só o nome já é assustador… fiquei com medo de ficar
brilhando em vermelho a noite e desisti deste).
Como a cidade era pequena, resolvemos conhecê-la em seu espírito, ou
seja, indo ao mercado, para ver como as pessoas vivem. Além das
multinacionais de sempre (muitas com produtos importados do Brasil),
como Coca-Cola, Nestlé, Pringles e Del Valle, encontrei chocolates de
Trinidad, macarrão para yakisoba de produção local, biscoitos
chineses, além de um frigorífico onde se via hamburger sadia, frango
congelado e peças de carne de caça. Devido a influência inglesa,
também havia muitos tipos de chá, geléia, patê e molhos, mas o preço
não era tão convidativo e declinei, me contentando com o macarrão para
yakisoba, delicioso.
A perspectiva de mais algumas horas na fila da balsa fez com que
acelerasse o retorno, não sem antes procurar informações sobre como se
chegar a Georgetown, capital guyanesa, e até a reserva onde existem os
principais estudos com ariranhas, a nossa maior lontra amazônica. Já
vi que em breve vou ter mais história para contar destes vizinhos
desconhecidos.
O que mais me surpreende, é que todo brasileiro reclama de Lethem.
Quando pedi informações sobre alimentação por lá, ninguém sabia dizer
–e todo mundo falava mal. Eu perguntava se haviam comido por lá, mas
ninguém havia provado nada e ainda diziam: “mas me disseram que é
ruim”, ou então “as comidas são diferentes, eu não gosto”. Como se
perde oportunidades de conhecer e de se aprender a gostar do novo, não
é mesmo? Espero que você esteja aberto as novidades. Viva a vida e boa
semana!
Altamiro
Legendas:
1 – Lacoste ou Lagoste?

IA 42
2 – Ponte Pronta. A esquerda o visual é do da foto 3

IMG_4733  diversas Lipom 060
3 – Carros na fila do embarque. Gostaram da estrada? Com aquela ponte ao lado…

IA 42 (2)

4 – Balsa. Vejam os dois barquinhos. São dois de cada lado, que fazem
o deslocamento da balça, manobrando-a.

IA 42 (3)
5 – Como cada carro fica coladinho com o outro, ou com a balsa, tem
até um “flanelinha” cheio de pose

IA 42 (4)
6 – Caminhão que ficou na minha frente… Cheio de bujões de gás e… sem freio.

IA 42 (5)
7 – Just arriving em Lethem. Chegou? Já tem comércio… Lacoste e Nike.

IA 42 (6)  diversas Lipom 072
8 – Casa tradicional da colonização inglesa. Sede de departamentos públicos.

IA 42 (7)
9 – IceT,, sabor banana!

IA 42 (8)
10 – Maltín. Servido?

DSC05235

12 comentários Adicione o seu

  1. Flávia Braga disse:

    Altamiro, adorei a sua dissertação sobre Guyana. É incrível como o preconceito e o medo do desconhecido impedem as pessoas de mergulhar em experiências que seriam fantasticas!
    Admiro a sua sensibilidade, ousadia e coragem !
    Obrigada por compartilhar essas experiências de infinita beleza que enriquecem a alma…
    Com respeito e admiração por sua missão,
    Um abraço, Flávia.

  2. André Sá disse:

    Puxa altamiro que legal. Eu tenho muita vontade de conhecer a Guyana .
    Tenho vontade de fazer um estudo sobre esse pais de lingua inglesa que tem limites com o nosso Brasil . Se vc puder me dar algumas dicas ?
    Abraços
    André

  3. Moacir Starosta disse:

    ALTAMIRO, ESTAMOS PERANTE UM NOVO BEST SELLER, QUASEEEEEEEE IGUAL AOS DO PAULO COELHO, CADÊ O LIVRO?

    NÃO ESQUECI DA REDE DE TUCÚM, UM DIA QUERO TER UMA…………….

    ABRAÇÃO,
    TEU AMIGO,
    MOACIR

  4. Jussara Campos disse:

    Eita amigo que big aventura,hein?!Infelizmente n ão pude ler tudo pois
    fui interrrompida…mas depois faço que me conte tudo pessoalmente!

    Falando nisso amigo, quando vc virá?Não repsondeu meu email…..
    buá buá buá!!!!!!!!!!!

  5. Ricardo Coelho disse:

    Tem muita coisa a se conhecer nesse mundo!

    Bebi uma vez um refrigerante israelense delicioso, mas não me pergunte deque era: estava escrito em hebraico.

    Tomei, também, um italiano: horrível, pavoroso. Gosto de remédio para hepatite à base de bílis de boi!
    Adorei o texto.
    Sempre Alerta,
    Ricardo Coelho dos Santos

  6. Marco Antonio Messias disse:

    Carissimo Altarimo Vilhena,mau estimado maigo e doutor,fico felizp or esta rrecbeendo suas infirmações mundo afora,espero que esteja tudo bem,com vc e com a Lídia, e assmi que vc vier há Belém,não esqueça de passar em kasa,já estou mortando em belem, te cuida e fique em paz!!!!!!

  7. Everardo Lopes disse:

    Amigo da Paz Altamiro,
    Bom dia. Pelo jeito está andando como o vento.
    Muita Paz

  8. Edna Dinelli disse:

    Caramba amigo !!! Eu te admiro muuuito pela vontade e disposição para viajar tanto e te agradeço por compartilhar comigo as novidades e conhecimentos.

    Nossa !!! Tá na hora mesmo de lançar o teu livro para que mais pessoas tomem conhecimento desse montão de coisas interessantes, não ? Se tu não fosses escoteiro, seria um grande desbravador. Risos…

    Beijos
    Edna

  9. Pedro Luiz Amâncio Castilhos disse:

    Querido Alta:

    Parabéns pelo vosso retorno à medicina “formal”. Dá uma impressão de limpeza, não é? Que tal, agora, limpinho??? (estou rindo, é brincadeira!)

    Parece que “o novo” não é mesmo o forte da nossa “civilização” – o mais preciso seria talvez a nossa “fazendização”, pois cada vez mais, para meu pesar, tendo a acreditar que somos mesmo é uma grande fazenda ou hacienda, uma grande plantation…

    Mas gostei muito mesmo das fotos e dos comentários! Dá vontade de estar aí também! Como somos ignorantes quanto aos nossos vizinhos mais próximos, não é mesmo? Imagino que haja grandes coisas a serem vistas na Guyana, embora anteveja as mesmas mazelas que existem do lado de cá. À parte isso, deve, sim, imagino, ter um belo litoral e coloridas manifestações culturais e artísticas.

    Motivou-me a “dar um google” sobre o país.
    Pergunta: há escoteiros em Guyana? Deve haver, suponho.

    Forte abraço,
    E Sempre Alerta!
    Pedro Castilhos.

  10. Anapaula Martins Mendes disse:

    Ei Altamiro mais uma das suas aventuras então..Gostei, o lugar parece bem diferente!E refrigerante de banana hein..q coisa mais doida, desse vc esqueceu de descrever a sensação..banana com gás..estranho demais!hehe.Ve se me manda uma camisetinha né..nossa, q barato!Mas era lagoste as de 12,00 ou lacoste?kkkk.Avisa qdo for voltar la p encomendar..hihi, beijos!

  11. Daucy Monteiro de Souza disse:

    Altamiro,
    Obrigada. Fique com Deus também e que todos saibam encontrar a felicidade.
    Daucy

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s