Impressões Amazônicas 24

23 março de 2006

Sempre que prometo não comentar mais nomes diferentes alguém vem e se
supera. Atendi um menino chamado Natrium Kalium. Achei que o pai
deveria ser algum gênio da química mal compreendido, afinal, natrium
significa Sódio e kalium é potássio. Alguém mais além de um químico
daria ao seu filho o nome de “Sódio Potássio”? Bem, não resisti e
perguntei a mãe e recebi a prosaica explicação que era sódio potássio
mesmo, e que o pai havia feito uma prova para sargento do exército
quando ela estava para dar a luz, e havia feito promessa de dar ao
menino o nome da questão mais difícil da prova, caso ele passasse.
Bem, ele passou, mudou para o Sul, deixou o menino com o nome e nunca
mais voltou. Ninguém merece!

Outra história de nome curiosa é a do Lucas Elisandro que nasceu
“enforcado”. Isto mesmo. O nome do guri ia ser só Elisandro, mas como
nasceu “enforcado” pelo cordão, a avó disse que para não morrer
criança tinha que ter nome de santo. Aí virou Lucas… Este ficou no
lucro! : )

Bem, mas outros nomes surgiram que chamaram a atenção: Wiscley,
Edinho, Gemelia, Venon, Dores (sem o Maria na Frente) e Rawnen. Ah! E
um novo sobrenome… que parece nome de granja… Pinto e Pinto.

Falando nos moleques… vocês gostam de pé-de-moleque? Então vejam
como são os pés-de-moleques daqui.

Começou a temporada de macaxeira,
então aumentou a oferta de farinha, macaxeira, tapioca e… pés de
moleque. Um grande como o da foto custa em média 1,50 ou 2,00. Os
ingredientes são bem diferentes do tradicional amendoim. O que poderia
ser? Se você pensou nas onipresentes macaxeira e banana, acertou. E
além disso entra cravo, leite, erva doce e ovo.

Novas palavras. Talvez tenham a origem nordestina, mas não deixa de
ser novidade para mim. Lixa de unha é “serrinha” e encostar ou o que
em São José dos Campos chamam de “relar” é “triscar” por aqui.
Outros termos médicos novos são “bichos”, que é usado com os peruanos,
pois estes nunca entendem quando falo em “vermes”, e “purgantes”, que
não são laxantes, e sim medicação para os vermes.
Além disso uma ferida com pús está cheia de “matéria” e berne (miíase)
se chama tapuru.

Outro hábito que percebi que é curioso é um hábito etílico. Talvez
tenha custado a me dar conta porque, como sabem, eu quase não bebo
nada. Acontece que em São Paulo de Olivença também tinha isto e fiquei
pensando que é algo cultural. Depois da cerveja, que é a primeira
pedida em todo território nacional, o que mais se toma por aqui é…
Montila. Em todos os shows, assim como no Carnaval, sempre tem muita
gente com a garrafa com o pirata na mão e uma garrafa de coca-cola do
lado para fazer cuba-libre. Viva o rum!!!

Algo que continua muito difícil por aqui são os livros. A biblioteca
municipal está para ser inaugurada desde que cheguei, não há bancas de
revista e descobri, finalmente uma livraria. Me falaram que era junto
a uma perfumaria… procurei, procurei e nada… até que achei uma
portinha escondida… Livros? Muitos… mas somente das coleções
Sabrina e afins… somente romance feminino… Ai, ai… melhorou mas
não muito.

Encerro com duas coisas. Primeiro um elogio para as fotos do Edu e da
Márcia nas Missões. Só faltou o relato das Impressões Missionárias e
segundo uma dica de uma amiga, a Silvinha, também Niteroiense que
trabalha como médica em Manaus. Ela mandou há um tempão e só agora
divulgo:

“Para sua colecao de nomes: Johnny Walker, o do wisky! Tem um rapaz
que trabalha na Praça do Carangueijo onde almoçamos, e tem este nome.
E diz quando vai embora: ” Keep walking!” hahaha. Serio!
Para sua colecao de divergencias linguisticas: Ontem no Tropical tinha
um paciente com Tetano, de 60 e tantos anos do interior. Na ficha
medica estava escrito pela plantonista que o internou: HPP: Teste para
HIV + (sic). Achei estranho e fui conversar com o filho do paciente
para saber melhor. Eis que ele me diz que o pai fazia tratamento de ”
Arnis” ha uns dois anos. E eu perguntei de novo: De que??? Resposta:
De Arnis doutora!. Eu perguntei o que ele sentia, e o que ele tomava.
E o filho me responde fazendo gestos para a virilha: De vez em quando
incha e ele quase morre de dor! hahaha. HERNIA!!! HERNIA!!!
A inocente hernia do sujeito quase se transformou numa aids. rs. Me
lembrei logo de voce e suas estorias. Medico no norte sofre… rs.”

Beijos do magro e mais fotos para vocês.

Altamiro

As fotos são quase todas de São P. Olivença, as que encerram a série.
O pessoal gostou muito das fotos do Carnaval. Realmente é bem legal
lá, tudo muuuito colorido.

Fotos da vizinha do Samuel – mico de cheiro de estimação e biribá
maravilhoso e delicioso. Comemos meio daquele. Uma refeição.

Colonia de São Cristóvão – lá estou eu entre duas palmeiras enormes
com o rio Solimões ao fundo

– a foto preto e branco foi tirada na mesma região, em uma baixada onde crianças estavam pescando
entre as árvores alagadas e as carapanãs (sim, finalmente entendi que
aqui o mosquito não é macho, e sim fÊmea. É A carapanã, e não O
carapanã.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Debora Martins disse:

    Já ouvi falar muito que o etilismo faz parte da vida dos índios na modernidade. Por influência do homem branco, talvez… Já tivemos “visitas” de índios ribeirinhos de São Bernardo do Campo (Riacho Grande) que visitaram acampamentos nossos e sempre estavam bêbados e pedindo dinheiro, até meio perigosos, sabe…
    E quando li numa das IA que existem índias de 10 anos cuidando de crianças que não são bonecas, mas sim, filhos, vejo que os índios também perderam um pouco da essência… Jamais achei que isso fosse aceitável por eles…
    Bom, aprendendo, aprendendo e aprendendo…
    Estou muito feliz assim!!!
    Bjks

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