Impressões Amazônicas 28 – Direto do Pará

Agosto de 2006

Meus queridos, uma pequena introdução antes de lerem as primeiras
Impressões Amazônicas escrito no Pará, no início do meio de 2006,
assim que aqui cheguei.

Descobri porque vocês vão ter que ainda ler muitas impressões de
viagem. Descobri o mal que me aflige. Já ouviram falar de Fernweh?
Graças a José Ovejero, autor do sensacional China para Hipocondríacos,
da Ed. Barcarola descobri o que eu sinto e que, com certeza acomete
alguns outros desta lista. Vejam a definição desta palavra exclusiva
da língua alemã definida pelo dicionário como “saudade da distância”,
ou “nostalgia”:

“A nostalgia ou saudade do que está distante; uma dilaceração que
sentimos por não estarmos em lugares longínquos, entre outras gentes,
em paisagens cujas aparências desconhecemos, ouvindo ruídos cuja
procedência ignoramos, vendo animais dos quais não sabemos os nomes,
sonhando sermos, se não protagonistas, ao menos partícipes de
histórias de que ainda não ouvimos falar. E de imediato nos vem a
ânsia da busca, a vontade ardente de partir, talvez acreditando também
que em outros lugares, em outro cenário, seremos mais felies, mais
bonitos, mais livres…
… não deixa de ser estranho que pessoas relativamente prudentes se
permitam dominar pela dor da distância, e partam repetidamente para
diferentes destinos, buscando… o quê? … estes falam não do
passado, dos lugares que se recordam, mas sim do futuro, dos lugares
que desconhecem.”

Sintam-se introduzidos então a esta minha nova viagem. Ao final
algumas fotos da cidade… não tão pequena como as do Amazonas.

Amigos, cá estou em Redenção, Sul do Pará. Minhas mudanças fizeram com
que eu, quando estava em Brasília no Jamboree Nacional Escoteiro
ouvisse sempre a pergunta: “E aí Altamiro, onde você está agora?” .
Logicamente eu sempre respondia… “Em Brasília, do mesmo jeito que
você”. Piada infame… risos…
Aliás, Brasília tem outra piada. Vocês conhecem a Pizza da Dom
Bosco??? Pois é… eu não conhecia, e me sentia um ET porque todo
brasiliense conhece aquilo. Aí lá fui eu com alguns amigos, inclusive
outros que como eu não conheciam a famosa pizza Dom Bosco. Imagine um
boteco um pouco maior do que uma garagem, CHEIO de gente em pé.
Aceitável para uma cerveja, mas nunca para uma pizza. Aí você
pergunta: “qual o sabor?” E ouve como resposta: “Sabor? Só tem um
(mussarela com molho de tomate). O que muda é se o senhor quer simples
ou dupla (uma deitada em cima da outra)”. Pra piorar, massa de pão…
Até não é de todo ruim, mas vale mesmo é pelo bizarro.

Bem, mas vamos voltar para o Pará, começando por Tocantins. Chega-se
aqui por Palmas. A cidade é ampla, prevista para um futuro que ainda
não chegou, com avenidas largas e prédios grandes como em Brasília.
Fiquei por pouco tempo e encarei a van – 5 horas – até Conceição do
Araguaia. Era até confortável, e pude ir com folga, ar condicionado e
música de fundo apreciando a paisagem. Pausa para a música de fundo.
Paraense gosta de três tipos de música: calipso, brega e forró
traduzido. Este nome sou eu que dou. Forró traduzido é aquele no qual
grandes hits nacionais e internacionais viram forró nas mãos de bandas
como Calcinha Preta (acreditem ou não, mas já assisti um show deles!)
ou Painel de Controle. Na van eu ouvia Madonna, Creedence e até mesmo
Stevie Wonder traduzido para o legítimo forró-brega.

Na estrada cores mil dão vida ao cerrado: ipês e flores de todas as
cores se misturam ao verde dos pastos e ao branco do gado (aliás…
fillet mignon aqui custa 6,50 o kilo). No caminho balsa pelo rio
Tocantins e depois atravessamos o Rio Araguaia, que esta época já está
cheio de praias, o maior “must” do verão deles. Nestas horas que fico
pensando que realmente ninguém precisa de Caminho de Santiago de
Compostela. O que precisamos é oportunidade de viajar, pelo Brasilzão
mesmo. Quer ter o “seu” Compostela particular? Encare um mês viajando
de ônibus sozinho ou com um(a) companheiro(a)… além de conhecer
lugares lindos ainda vai poder filosofar, pensar na vida e descobrir
que há muito mais entre o céu e a terra do que pode compreender nossa
vã filosofia.

Por fim a impressão inicial sobre os índios com quem vou trabalhar.
Cheguei tarde, estava com fome e meio “perdido”. Saltei e perguntei
para um índio no alto da escada. “Aqui é o DSEI Carajás”? E ele, ainda
bem que de forma bem humorada, me respondeu… “Não, aqui é o DSEI
Kaiapó”… Que furo… já comecei chamando flamenguista de vascaíno…
risos…
Por fim posso dizer que agora são índios de verdade. Língua própria,
quase todos com pintura corporal (inclusive homens), cabelos longos,
brincos e nomes nada convencionais: Kokoipati, Bekupoiti, Amakrokot,
Ngroikuti… e um sobrenome em comum Kaiapó!
Gente, na próxima eu conto mais dos índios e da cidade… agora sim
uma cidade de verdade.
Abraços e beijos,
Altamiro

Fotos:
1 – Vista aérea. Muitas casas… só 3 prédios altos na cidade.


2 – Avenida principal. Esta é a via que só vai.


3 – Olha por onde estou enviando estes textos… : )


4 – Uma das concessionárias da cidade. Também tem GM, Mitsubishi e Fiat.


5 – Tem academia chique.


6 – Prefeitura


7 – O aeroporto de onde parto para as aldeias.


8 – Fazenda na estrada… para quem vai a Ipanema ver vacas na cow
parade, podem ser vistas por aqui… e acompanhadas.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Tamara Ribeiro disse:

    Nossa Tatá, tu tens cada história!!! DSEI CARAJÁS? rsrsrsr … essa eu não sabia! …rsrsrsr… Depois conversaremos sobre o estilo musical paraense… rsrsrsrsrsr… só nós dois….rsrrsrsr.
    Bjossssssssss!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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