Impressões Paraíbanas 25

Buchada de bode, bode assado, suvaco de cobra, farofa de carne de sol,
gororoba (macaxeira – aipim ou mandioca, se preferirem – amassada tipo
puré com queijo e pedaços de carne de sol), arroz de leite, feijão
verde, buchada de bode. Caramba! Há como resistir a isso? Impossível.
E foi por não resistir que voltei ao Mangai, o restaurante de João
Pessoa que algumas vezes foi considerado pelo Guia 4 Rodas o melhor de
comida nordestina. E o melhor de tudo… é a quilo. Assim prova-se um
pouco de tudo sem peso na carteira.


Pois é lá estava eu em João Pessoa, depois de voar ou encalhar em
aeroportos por mais de 24 horas. Não podia perder a oportunidade,
mesmo ficando apenas 48 horas em solo e voltando em mais 26 horas de
transito… Mas valeu.

Fui para um Encontro Nacional de Redes pela Paz
e Desarmamento, representando a Rede Virtual de Escoteiros pela Paz.
Pela primeira vez eu senti um clima tão afetuoso quanto sinto quando
estou em atividades escoteiras, o que eu considerava até impossível

A capital paraibana é mesmo arretada. Praias de areia branca, mar
verde e coqueiros compõe o cenário onde estão as mulheres, na minha
opinião, mais bonitas do nordeste brasileiro. Tudo isso embalado por
aquele sotaque gostoso que só se encontra na faixa da BA ao CE… e
olhe lá. O sotaque nordestino tem a mistura certa de ritmo, dengo e
simpatia que não se encontra em mais nenhum lugar do Brasil.

Culturalmente a cidade é rica. Ouvi forró pé de serra em tudo que é
lugar que fui, e só senti falta de não ter ido a um autêntico forró.
Mas fomos jantar em um restaurante que após um excelente cantor que
levava de primeira ritmos como baião, xote, xaxado e coco dos
inesquecíveis Luiz Gonzaga, Gonzaguinha, Jackson do Pandeiro em
companhia do Duda, companheiro de Recife, radicado em Fortaleza e que
puxou não se sabe daonde um pandeiro que tocava com maestria digna de
discípulo do Jackson (aliás, o Duda é o primeiro cara que conheço que,
como eu, tem avô e AVÓ médicos). Mas… após o cantor, como eu ia
dizendo, formos brindados por Petrônio Sinfrônio em um autêntico show
de brega. Além dos oito anés enormes, das pulseiras extravagantes (uma
nada mais era do que uma correntinha com um chaveiro de Capivari preso
nela), do óculos cor de rosa com adesivo de preço, ainda sabia cantar.
Tudo bem que o brilho do terno dourado com botões vermelhos
incomodava, que Reginaldo Rossi não é meu cantor favorito, mas foi
muito divertido, até as mágicas sem graça nos divertiram. E o melhor
foi ele fazer todos os homens dançarem quando disse… “Agora é a vez
dos homens, mas os que tem bilau (pênis no linguajar local) pequeno
podem ficar sentados”. Nunca vi tanto marmanjo pulando tão rápido de
suas cadeiras.

E você acha que vou falar de Tambaba, mais bonita praia de nudismo
do Brasil, do Pontal de Seixas, ponto mais a leste de nosso país ou do
por do sol comendo caranguejo no Rio Jacaré ouvindo o Bolero de Ravel?
Pois é… Desta vez não vou, pois estes programas imperdíveis ficaram
apenas na saudade da vez que estive por lá com a Alzira. Afinal, fomos
com uma missão, e não há nada mais importante do que a sensação de
poder contribuir com a PAZ no mundo. E para isto vale todo o tempo que
tiver.

Mas… eu não ia perder a oportunidade de dar ao menos uma passeadinha
e conhecer um lugar novo. Assim, aluguei um carro no sábado pela manhã
e lá fui para Ingá. Sei que vocês imaginam que a Paraíba só tem João
Pessoa e Campina Grande, mas tem muito mais coisa. Uma das surpresas é
Ingá. Cidadezinha destas que o Maurício Kubrusly mostrava no Me Leva
Brasil. Sol daqueles que dá sono o tempo inteiro, casas muito pobres
mas bem coloridas, cada uma pintada com uma cor diferente, meninos
andando com lenha de gravetos finos na cabeça, pracinha com coreto e
igreja na frente. E ainda tem o seu destaque, a Itacoatiara de Ingá.

Pois é, no meio do nada, próximo a um rio refrescante daquele calor de
agreste, surge uma grande laje toda riscada – itacoatiara = pedra
riscada. O legal é imaginar que os desenhos já eram descritos no
século XVII (1600 e qualquer coisa) e que foram feitos escavados na
pedra. São desenhos únicos, e uma forma de expressão única também, não
descritos em nenhum outro lugar da América do Sul e nem mesmo na
região. É o tipo de coisa que gosto e me faz pensar. Porque ali?
Porque aquela pedra? Os arqueólogos dizem que pela profundidade dos
desenhos eles foram feitos por períodos longos… e então eu imagino
que aquela pedra deve ter testemunhado muita coisa interessante.
Cerimônias? Sacrifícios? Alianças? Quanta vida esta pedra não
assistiu…? Somos mesmo pequenos neste mundo de Deus. Ínfimos. E por
isto somos tão especiais. Por isto vale a pena viajar e descobrir como
o homem se expressa de formas inimagináveis. Eu me expresso nos
Impressões Amazônicas… alguém se expressava esculpindo pedras. Bem,
mas vão as fotos delas, porque senão não dá para entender, né?

Pra finalizar só uma experiência. Estava eu acompanhando uns amigos em
uma feira de artesanato quando fui parado por um vendedor que pulou em
cima de mim gritando: “veja como o senhor fica bem de chapéu de
couro!” Quando argumentei e agradeci já me vi com cinturão, duas
garruchas e espingardas… e eu estava em um encontro de Paz!! Bem,
não resisti e para as risadas dos amigos fui obrigado a fotografar.
Assim, graças a boa vontade do vendedor vocês poderão conhecer
Lamparina, senhor do cangaço!

Fiquem com as fotos… tô indo avexado,

Altamiro

FOTOS:
1 – Olha eu aí de lampião.


2 – Ingá… a) casas coloridas, só na fachada! b) tradicionais jegues
no meio da rua


3 – Inscrições da Itacoatiara de Ingá a) close b) visão global da pedra


4 – Buchada de Bode… que delícia!


5 – Culto pela PAZ

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