A realidade sobre Roraima… É pura balela a "carta da doutoranda"…

Amigos,
Há algum tempo recebi do meu amigo Parrudinho uma mensagem com o título: “Carta de um Engenheiro”, que teoricamente queria esclarecer a verdade sobre a situação do suposto domínio americano em Roraima. Ele queria saber da veracidade da notícia. Depois, preocupados vários amigos me enviaram a mensagem, dentre eles meu irmão Arnaldo e minha querida Aline. A carta no meio do caminho deixou de ser de um engenheiro e se tornou “Carta de uma Doutoranda”… mas o teor fascista e terrorista se manteve. A todos amigos eu respondi explicando os detalhes das acusações infundadas. REcebi mais uma vez este e-mail e resolvi postar aqui a resposta, que pode esclarecer a verdade para muita gente. Dúvidas? Entrem em contato comigo.

Abraços, Altamiro

Resposta a “carta da doutoranda”

Amiga,

esta é mais uma das lendas qeu circula na internet. Já recebi duas vezes como sendo escrita por um engenheiro e agora vem como escrita por uma
doutoranda… ai, ai…

É impressionante como tem gente que escreve besteira. Infelizmente, por trás de um discurso bem articulado, tem muita baboseira, além de um capitalismo explícito e de indiofobia mais explícita ainda.

Olha só. O cara começa bem, descrevendo a situação do funcionalismo público de Boa Vista. Faz parecer ter uma visão geral, despida de preconceitos. Aí ele começa a viajar…

A questão da reserva indígena Waimiri Atroari é parcialmente real. Todo o território no caminho de Manaus para Boa Vista era território destes indígenas, valentes e que responderam ao morticínio dos seus povos da forma que podiam, com atitudes valentes e violentas (para quem defende a expulsão dos indígenas de suas “enormes terras” sugiro a leitura de algum dos livros do Professor Darci Ribeiro, homem acima de qualquer suspeita). Dentro do processo de negociação/expulsão, os índios ficaram com a atual terra. Lógico que quando resolveram fazer uma estrada em seu caminho, algumas concessões foram feitas. Uma é esta: horário controlado. Já passei por lá “fora do horário” e não pude seguir viagem. Apesar disso, não é tão complicado a passagem, pois os ônibus passam sem problemas. O que eles querem é evitar alguém parando em sua terra e ficando para caçar ou qualquer outra atividade, o que considero justo.

Esta questão dos estrangeiros autorizarem é lenda. Se eles entram mais a vontade, isso eu não posso dizer, mas que a autorização é apenas dos indígenas e da funai, isso é fato. A burocracia da Funai existe em todos locais. Não é fácil entrar, porque as terras indígenas não são pontos turísticos, e sim local de moradia, trabalho e vida destas populações.
Os indígenas aqui falam diversos idiomas. Além de seu idioma nativo (somente os Macuxi e Wapixana não utilizam quase o idioma próprio, embora esteja sendo reintroduzido), a maioria fala português e outras línguas de povos limítrofes. Além disso, indígenas da região da fronteira com a Guyana naturalmente falam inglês – como os não indígenas também o fazem. Indígenas da fronteira com a Venezuela falam espanhol – como os não indígenas também o fazem. Bandeiras inglesas e americanas em reservas indígenas, nunca ouvi falar e nunca vi. Eu e minha esposa juntos já conhecemos aldeias Tikuna, Matis, Korubo, Marubo, Kanamary, Kaiapó, Xikrim, Yanomami… e nunca vimos nada disso, e nunca ouvimos falar dentre todos nossos muitos amigos que trabalham em aldeias. Nem mesmo aqui, onde tenho contato com gente que trabalha em aldeias Yanomami, Sanumã, Xiriana, Xirixana, Yekuana, Ingarikó, Macuxi, Wapixana, Patamona e Wai Wai.

Quanto a senhora que vende sucos de frutas na rodoviária de Mucajaí, cidade de menos de 12 mil pessoas, vou ser sincero… Leia a frase…
‘Irão não minha filha, tu não sabe, mas tudo aqui já é deles, eles comandam tudo, você não entra em lugar nenhum porque eles não deixam.
Quando acabar essa guerra aí eles virão pra cá, e vão fazer o que fizeram no Iraque quando determinaram uma faixa para os curdos onde
iraquiano não entra, aqui vai ser a mesma coisa’.
Não quero estar parecendo preconceituoso ou arrogante, mas… Em Brasília, Rio ou São Paulo você imagina uma vendedora ambulante comentando de faixa para curdos? Eles sabem o que é curdo? Posso estar sendo preconceituoso, mas diria “É ruim!”. Quero conhecer esta senhora tão informada… ou para mim vai ser uma lenda maior do que a do ET de Varginha.

As áreas demarcadas podem ter nome de nação indígena em qualquer lugar, menos no Brasil. Aí o autor que começou light, para parecer despreconceituoso, começou a jogar um veneno, agora pega pesado. Os indígenas possuem Terras Indígenas.

Os americanos realmente podem construir base na Colõmbia. Queriam construir em Alcântara, Maranhão… Mas daí a imaginarmos o tempo todo
uma teoria de conspiração, acho que é exagero. E de qualquer forma, não são os índios que facilitarão ou prejudicarão isto. E com certeza
eles não venderão as terras onde vivem, afinal as terras indígenas são da União, tendo eles somente o usufruto. Diferente dos arrozeiros, que
querem se arvorar donos de terras da união e que, com certeza não teriam nenhum escrúpulo para vendê-las, dependendo apenas do número de
notas colocadas sobre a mesa.

Quanto a fiscalização nas fronteiras…. Não vi nenhuma fiscalização na fronteira com a Guyana. Nem para brasileiro, nem guyanense, nem para ninguém,
simplesmente não há. Já na Venezuela, há muita fiscalização. Fiscalizam brasileiros na Venezuela e venezuelanos no Brasil. Eu vi.
Agora com a ponte entre Bonfim e Lethem (BR x Guyana) sei que a fiscalização começou e vai se intensificar.

De resto, realmente tenho muito a lamentar em relação a este povo que não tem mais o que fazer do que inventar terrorismo psicológico. E
sim, sou a favor, radicalmente da marcação integral da terra indígena Raposa Serra do Sol. Nada me convencerá do contrário.

Altamiro Vilhena,
Médico morando em Boa Vista, RR desde junho de 2008

Blogs que divulgam esta carta:

Manufotos
Estrela Verde


IMG_0962 IMG_0964

Placas de inauguração da ponte sobre o Rio Tacutu, que separa Brasil da Guyana. Neste dia a ponte seria inaugurada pelos presidentes dos dois países.

Abaixo o texto que motivou minha resposta. Lembrem! é tudo balela!

A PRÓXIMA GUERRA
Segue abaixo o relato de uma pessoa conhecida e séria, que passou recentemente em um concurso público federal e foi trabalhar em Roraima. Trata-se de um Brasil que a gente não conhece.
As duas semanas em Manaus foram interessantes para conhecer um Brasil um pouco diferente, mas chegando em Boa Vista (RR) não pude resistir a fazer um relato das coisas que tenho visto e escutado por aqui.
Conversei com algumas pessoas nesses três dias, desde engenheiros até pessoas com um mínimo de instrução.
Para começar o mais difícil de encontrar por aqui é roraimense, pra falar a verdade, acho que a proporção é de um roraimense para cada 10 pessoas é bem razoável, tem gaúcho, carioca, cearense, amazonense, piauiense, maranhense e por aí vai. Portanto falta uma identidade com a terra. Aqui não existem muitos meios de sobrevivência, ou a pessoa é funcionária pública, e aqui quase todo mundo é, pois em Boa Vista se concentram todos os órgãos federais e estaduais de Roraima, além da prefeitura é claro. Se não for funcionário público a pessoa trabalha no comércio local ou recebe ajuda de Programas do governo. Não existe indústria de qualquer tipo. Pouco mais de 70% do Território roraimense é demarcado como reserva indígena, portanto restam apenas 30%, descontando-se os rios e as terras improdutivas que são muitas, para se cultivar a terra ou para a localização das próprias cidades. (Na única rodovia que existe em direção ao Brasil (liga Boa Vista a Manaus, cerca de 800 km ) existe um trecho de aproximadamente 200 km reserva indígena Waimiri Atroari) por onde você só passa entre 6:00 da manhã e 6:00 da tarde, nas outras 12 horas a rodovia é fechada pelos índios (com autorização da FUNAI e dos americanos) para que os mesmos não sejam incomodados.
Detalhe: Você não passa se for brasileiro, o acesso é livre aos americanos, europeus e japoneses. Desses 70% de território indígena, diria que em 90% dele ninguém entra sem uma grande burocracia e autorização da FUNAI.
Detalhe: Americanos entram na hora que quiserem, se você não tem uma autorização da FUNAI mas tem dos americanos então você pode entrar. A maioria dos índios fala a língua nativa além do inglês ou francês, mas a maioria não sabe falar português. Dizem que é comum na entrada de algumas reservas encontrarem-se hasteadas bandeiras americanas ou inglesas. É comum se encontrar por aqui americano tipo nerds com cara de quem não quer nada, que veio caçar borboleta e joaninha e catalogá-las, mas no final das contas pasme, se você quiser montar um empresa para exportar plantas e frutas típicas como cupuaçu, açaí camu-camu etc., medicinais, ou componentes naturais para fabricação de remédios, pode se preparar para pagar ‘royalties’ para empresas japonesas e americanas que já patentearam a maioria dos produtos típicos da Amazônia…
Por três vezes repeti a seguinte frase após ouvir tais relatos: É os americanos vão acabar tomando a Amazônia e em todas elas ouvi a mesma resposta em palavras diferentes. Vou reproduzir a resposta de uma senhora simples que vendia suco e água na rodovia próximo de Mucajaí:
‘Irão não minha filha, tu não sabe, mas tudo aqui já é deles, eles comandam tudo, você não entra em lugar nenhum porque eles não deixam. Quando acabar essa guerra aí eles virão pra cá, e vão fazer o que fizeram no Iraque quando determinaram uma faixa para os curdos onde iraquiano não entra, aqui vai ser a mesma coisa’.
A dona é bem informada não? O pior é que segundo a ONU o conceito de nação é um conceito de soberania e as áreas demarcadas têm o nome de nação indígena. O que pode levar os americanos a alegarem que estarão libertando os povos indígenas. Fiquei sabendo que os americanos já estão construindo uma grande base militar na Colômbia, bem próximo da fronteira com o Brasil numa parceria com o governo colombiano com o pseudo objetivos de combater o narcotráfico. Por falar em narcotráfico, aqui é rota de distribuição, pois essa mãe chamada Brasil mantém suas fronteiras abertas e aqui tem Estrada para as Guianas e Venezuela. Nenhuma bagagem de estrangeiro é fiscalizada, principalmente se for americano, europeu ou japonês, (isso pode causar um incidente diplomático)… Dizem que tem muito colombiano traficante virando venezuelano, pois na Venezuela é muito fácil comprar a cidadania venezuelana por cerca de 200 dólares.
Pergunto inocentemente às pessoas; porque os americanos querem tanto proteger os índios. A resposta é absolutamente a mesma, porque as terras indígenas além das riquezas animais e vegetais, da abundância de água são extremamente ricas em ouro (encontram-se pepitas que chegam a ser pesadas em quilos), diamante, outras pedras preciosas, minério e nas reservas norte de Roraima e Amazonas, ricas em PETRÓLEO.
Parece que as pessoas contam essas coisas como que num grito de Socorro a alguém que é do sul, como se eu pudesse dizer isso ao presidente ou a alguma autoridade do sul que vá fazer alguma coisa.
É pessoal, saio daqui com a quase certeza de que em breve o Brasil irá diminuir de tamanho. Um grande abraço a todos. Será que podemos fazer alguma coisa???
Acho que sim.

4 comentários Adicione o seu

  1. Rocelio Mario disse:

    Bom Dia Amigão !!!!!!!

    Quanto as iguarias se passar por aqui em escala avisar que vou ao aeroporto e você leva mais.

    SAPS

  2. Big Lui disse:

    Eu recebi este e-mail em 2008, mas nem dei bola, só li… Ou seja, se dependesse de mim o Brasil tava lascado caso fosse verdade, he, he, he… Hoje relendo, fiquei na dúvida e por isso fui pesquisar. Aí cheguei aqui.

    http://big-lui.blogspot.com.br/

  3. wagner disse:

    Quem manda em Roraima são os gaúchos e os maranhens.

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