O dia a dia na ação.

As boas novas se espalham, e os parentes continuam a chegar. Da aldeia Xumina chega uma van com alunos da escola. Eles querem ver o movimento, mas aproveitam para se cuidar. Um vai no médico, a professora na ginecologista, dois fazem exames de vista e vários tentam conseguir passar pelos dentistas, que trabalham sem parar….

Eu também vim para ficar bom!

– Eu também vim para ficar bom! – me fala seu Joaquim, na sala de espera ao lado. Ele veio de longe para resolver o problema da “hérnis” que atrapalha o trabalho. Diz que apareceu há muitos anos, quando carregava “um peso grande”. Já havia tentado resolver o problema no Hospital Geral de Roraima, mas…

Levei mamãe para operar na maloca!

– Todo mundo animado? Os muxoxos são positivos, mas não me inspiram confiança. Em cima da hora todo mundo amarela, não tem jeito. Insisto na conversa. – Fiquem tranquilos, que trouxe minha mãe do Rio de Janeiro só para operar aqui! – falo eu, provocando olhares suspeitos? Escuto os pensamentos e todos dizem que não…

A hora da cirurgia… friozinho na barriga

Manha. As pernas bambeiam, e não é apenas de fome. Todos tiram suas roupas e vestem aventais azuis. As crianças e mais velhos tem prioridade – são operados primeiro. O proseado é pouco. Os parentes não são de muita fala e agora menos ainda. Puxo conversa na ala da oftalmologia. – Todo mundo animado? Todos…

A esperança de uma nova visão

Os cirurgiões examinam, os anestesistas liberam. Agora para seu Johnson e vários outros indígenas, a alimentação está suspensa. Todos estão na maloca do pré-operatório, sob supervisão da enfermagem. A rotina é a mesma de qualquer hospital. A noite, as últimas orações – “Deus existe, e se me trouxe aqui, vou me curar” – fala uma…

O movimento é frenético

O movimento é frenético. Todos se comunicam por radiotransmissores. Um cajueiro se transforma em rodoviária, tal o movimento de carros. “As vans acabaram de chegar trazendo os Waiwai” – anuncia o rádio. A equipe de nutrição esquenta as panelas, pois os “parentes” já chegam com fome. Um enfermeiro acompanha o grupo até a maloca onde…

Pediatria na Aldeia

Atendo na pediatria, em companhia do Teixeira, professor da Unicamp. A qualidade técnica dos voluntários me impressiona. Todos são ótimos. Enfermeiros, médicos, engenheiros, biólogos que deixam salas de aula, clínicas e hospitais em São Paulo, Brasília, Rio e Minas para passar o dia trabalhando. Se os médicos atendem e operam e os enfermeiros organizam, a…

O véu de seu Johnson

Quando Johnson Raposo saiu de sua aldeia numa manhã de novembro, sabia que sua vida não ia ser como antes. Ou melhor, sabia que sua vida iria voltar a ser como era antes do véu azul da catarata cobrir lentamente seus olhos e deixá-lo dependente da ajuda da família e dos amigos. Expedicionários da Saúde…

De volta ao Lago Caracaranã com os Expedicionários da Saúde

Estou de volta ao Caracaranã, lago sagrado dos antigos habitantes do lavrado roraimense. O lago foi invadido por um grupo diferente dos que costumam frequentar suas águas transparentes, emolduradas por montanhas e suas amplas malocas, onde as lideranças indígenas se reúnem para discutir os problemas do seu povo. Desta vez, voluntários dos Expedicionários da Saúde,…