Noite entre mascarados

Segunda noite em Kriny. Realmente não tem botão de desligar nos índios, e esta noite cantaram a noite inteira. Por volta das três da manhã resolveram dançar nas portas das casas, vestidos com uma roupa de palha de buriti. Assim tínhamos o canto, a batida dos pés e a palha sacudindo. Além disso, como estamos…

A primeira reunião na Casa do Guerreiro a gente nunca esquece

Participei de minha primeira reunião na Casa do Guerreiro. A reunião se reveste de formalidade, havendo inclusive um mestre de cerimônias, que apresenta as pessoas e faz as traduções. Ele é o primeiro a falar, depois fala o cacique, as mulheres, alguns líderes e por fim nós. Depois de cada frase o tradutor passa a…

Artistas na aldeia

A técnica não muda muito. Fura-se pequenas sementes, prende tudo em um cordão de fibras vegetais e… enfeite pronto. Mas agora a modernidade toma conta, e uma furadeira acionada com o pé com energia vindo de uma placa solar garante a velocidade nos trabalhos na aldeia. Bacia de urucum, pronto para a pintura dos rostos…

Cantoria noturna na aldeia

Logo que escurece… hora de dormir, pois não há luz. O técnico de enfermagem liga um radinho, mas nem precisava. Os índios cantam, cantam, cantam… é bem bonito, mas tem a desvantagem de não ter botão para desligar. E não desligam. Até bem tarde ouço cantos sem entender o significado. Saio da barraca e espio…

Aldeia Kriny – Kaiapó

Kriny – Novembro de 2006 Estou em Kriny, uma aldeia completamente diferente das demais. Aqui só se chega de carro, 240km percorridos em pouco mais de seis horas. Sim, eu disse SEIS horas. Buraco, lama e pontes que parecem ter saído do Rally dos Sertões. E na verdade são, pois esta estrada por alguns anos…

Falta de visão… logo, falta de peixe

Estamos na época da piracema e, exceto pelos pescadores tradicionais (subsistência), ninguém pode pescar. Mesmo assim três lanchas com cerca de dez pessoas estão lá na área indígena. Vão descer o rio “passando o rodo”, ou seja, acabando com os peixes do próximo ano… e tudo em troca de cem ou duzentos reais para um…

Vovô viu a Onça

Aldeia Kriny Na minha arrogância de cidade grande, ecólogo, leitor voraz de tudo que se relacione a natureza, insisto em ignorar o perigo das onças. Sempre que me dizem que viram uma onça penso logo em jaguatirica, aquele gato vitaminado, com a pelagem igual as pintadas. No máximo penso em uma parda, bem maior, mas…

Personagens – Cacique Kagnonk e a mudança em seu mundo

Nesta aldeia mora o Cacique Kagnonk. Ele é hoje, nesta região, respeitado como o principal dos “caciques velhos”, aqueles que já não tem seu posto, mas mantém a moral e o respeito de todos. Pela identidade são oitenta e três anos, mas a idade não é precisa, pois quando nasceu “não existiam brancos (kuben)”. Seu…

Preparativos para Festa em Kriny

Kriny – Abril 08 S 07º 24’ 94,0’’ W 50º 55’ 19,0’’ Cheguei na aldeia e logo percebi algo diferente. Não haviam homens – cacique, pajé, agentes de saúde, lideranças. Todos, com exceção de uns 3 ou 4, estavam na cidade, pegando palha de buriti. Para cobrir as casas? Não, para a confecção de máscaras…